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Os antecedentes do arrendamento. Fausto Cardoso de Figueiredo
           


A abertura à exploração pública do Ramal de Cascais, com um conjunto de servidões de caminhos públicos e privados, evidenciado por mais de 40 passagens de nível, com estações e apeadeiros muito próximos, trouxe, como não poderia deixar de ser, péssimos resultados de exploração, agravados a partir de 1901, com a concorrência da tracção eléctrica da Carris na sua linha Rossio a Algés. Ao caírem para metade do custo da tarifa ferroviária, os bilhetes dos "eléctricos" tornaram-se altamente concorrenciais, no principal percurso com interesse que o ramal oferecia (São José de Ribamar/Algés com os seus divertimentos e a praça de touros constituia uma zona previlegiada para os passeios dos lisboetas).



Perante os frágeis resultados da exploração, a única solução passava pela alteração da tracção do vapor para tracção eléctrica.

A solução encontrada de arrendamento da Linha de Cascais à Sociedade Estoril Sol de Fausto Cardoso de Figueiredo, é o exemplo típico do cruzamento de interesses entre a figura pública e o empresário privado. Para o invertor dos "Estoris", e proprietário da Quinta da Vianinha (a qual loteou), das termas, casino, hotéis e outros interesses na "linha", o caminho de ferro apresentava-se como um elemento estruturante dos seus negócios.

 


 

"Na política, Fausto de Figueiredo acompanhou João Franco em tempos de Monarquia, e, proclamada a República, esteve ao lado do Partido Republicano Português, sendo seu deputado ao Parlamento. No Estado Novo foi deputado à Câmara Corporativa. Foi vogal, também, do Conselho Superior do Comércio Externo e da Comissão de Propaganda do Ministério dos Negócios Estrangeiros."

In O Século 6.04.1950



 

CRONOLOGIA

25.06.1896 - Abertura à exploração pública da 2ª via do troço entre Belém e Pedrouços.

28.07.1896 - Abertura à exploração pública da 2ª via do troço entre Alcântara-Mar e Belém.

04.07.1897 - Abertura à exploração pública da 2ª via do troço entre Cais do Sodré e Alcântara-Mar.

13.07.1901 - Acordo entre CRCFP, a Companhia Carris de Ferro, a Lisbon Electric Tramway Company Limited de Londres e a Câmara Municipal de Lisboa (no qual se estabeleçe que as tarifas não podem ser inferiores às do caminho de ferro).

08.09.1902 - O jornal O Mundo anuncia a redução dos bilhetes dos elécticos na "carreira" Pelourinho - Algés, durante a época balnear.

 
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