|
Saúde : Popular tratamento anti-rugas tem efeitos desconhecidos
a longo prazo
A popularidade crescente do tratamento anti-rugas à
base de Botox tem feito esquecer que se trata de um
produto derivado de uma potente toxina cujos efeitos
a longo prazo permanecem desconhecidos, advertiu um
especialista britânico.
O
alerta foi feito por Peter Misra, neuro-fisiologista
no National Hospital for Neurology and Neurosurgery,
em Londres, e será publicado na edição de sábado da
revista British Medical Journal (BMJ).
O
produto, vendido sob o nome comercial de Botox, é um
derivado da toxina do botulismo, uma infecção alimentar
grave que pode matar, e obtido a partir de culturas
da bactéria "Clostridium botulinum".
Segundo
Misra, a utilização deste produto para fins cosméticos
(anti-rugas) aumentou 1.500 por cento nos últimos quatro
anos nos Estados Unidos.
"Trata-se
de um veneno extremamente potente, de tal forma que
se chegou a pensar que podia ser usado para fins bioterroristas",
explicou. Desde o início da década de 90, este produto
tem vindo a ser cada vez mais utilizado por médicos
para atenuar rugas e marcas de expressão provocadas
pelo excesso de contracção dos músculos faciais.
Uma vez injectada em determinado músculo, a toxina liga-se
aos seus terminais nervosos e inibe a libertação de
acetilcolina, o neurotransmissor responsável por enviar
os impulsos eléctricos que contraem o tecido muscular.
O
resultado é a paralisação do movimento muscular, o que
produz um efeito "relaxante" nas rugas de expressão.
"Faltam-nos dados sólidos sobre os seus efeitos no sistema
sensorial a longo prazo", adverte o especialista.
A
propriedade da toxina botulínica, de paralisar os músculos,
tem indicações terapêuticas, por exemplo, nos doentes
com espasmos musculares, vítimas de dores lombares ou
cervicais crónicas, certos casos de estrabismo e blefaroespasmo
(problema que leva as pessoas a piscarem repetidamente
os olhos) ou o excesso de suor nas mãos.
Aliás,
a descoberta do uso estético do Botox para suavizar
rugas e marcas de expressão foi feita por um oftalmologista
que observou esse efeito em rugas de tipo pé-de-galinha
nas pessoas com blefaroespasmo.
As
vendas mundiais de Botox passaram entre 1993 e 2001
de 25 milhões de dólares para 310 milhões (aproximadamente
o mesmo valor em euros), para atingirem um valor de
430 milhões de dólares em 2002, um crescimento em grande
parte atribuível ao mercado da cosmética.
|