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MINISTRA E ALUNOS DEBATEM ECONOMIA
Reportagem


A Escola Secundária Ibn Mucana, em Alcabideche, recebeu a visita da ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, que veio falar e dialogar sobre matérias que interessam aos alunos de Economia da Escola.

Cerca de sessenta alunos dos 10º.,11º. e 12º. anos estiveram presentes, para além de outros tantos elementos de órgãos de informação, que costumam acompanhar as saídas da governante, sempre tão em foco face aos assuntos de que é responsável e que muito afectam a vida dos portugueses.

Fizeram as honras da casa a directora da Escola, Teresa Lopes, os professores da disciplina de Economia, para além da presença dos presidentes da Câmara e Junta de Freguesia, respectivamente, António Capucho e Teixeira Lopes.

Manuela Ferreira Leite frisou que estava a corresponder a um convite, que lhe tinha sido feito pela aluna Patrícia Chapelas, filha do seu motorista, e que é aluna interessada da Escola e moradora na Amoreira.

Numa exposição de dez minutos, a ministra definiu as características de um país imaginário, de economia pequena mas aberta, em que a população consome tudo quanto quer, mas produz muito pouco daquilo que consome, ou seja, precisa comprar mais do que vende. "Só se consegue equilibrar uma economia como esta, recorrendo a fundos enviados pelos emigrantes, a ajudas internacionais ou pedindo empréstimos e neste país imaginário, esta política iria provocar a chamada "dívida", que não é um mal em si mesma, só o sendo, quando se ultrapassam certos limites".

Para a ministra, o fenómeno da dívida pode ser acautelado desde que se compre pouco mais do que o essencial o que vai permitir alguma poupança. "Não é com dívidas que se enriquece". Consolidando o seu pensamento, afirmou que os nossos filhos têm que viver melhor e se não lhe queremos deixar dívidas temos que poupar, é necessário enriquecer e distribuir de forma equilibrada o que se produz.

Deixámos assim de ouvir falar num país imaginário e entrámos nos problemas do país real onde vivemos em que a máxima a cumprir é "Poupar se queremos enriquecer".

Manuela Ferreira Leite comparou, a seguir, a situação do país com a que ocorre na casa de muitas famílias portuguesas, nomeadamente, a dificuldade na satisfação das necessidades básicas, para que haja o mínimo de bem estar. "Não se pode distribuir o que não é produzido, pois tudo tem um preço" Relembrou que quando na Universidade, lhe foi ensinado que só o Ar era gratuito, por ser inesgotável e acessível a todos, e estava longe de imaginar que passados estes anos, já nem sequer o ar que respiramos o é, já que o fenómeno da poluição obriga a tratá-lo, o que comporta custos, pagos pelos cidadãos de forma normalmente indirecta.

Dirigindo-se aos futuros economistas, a ministra referiu que na sua actuação devem sempre optar por produzir bens cujos preços e disponibilidades estejam de acordo com as necessidades internas e que possam ser concorrenciais no mercado externo, que é onde podemos ir buscar parte da riqueza de que precisamos para progredir.

Segui-se o debate com os alunos, tendo a governante procurado com palavras objectivas e simples, não só responder às questões formuladas, como realçar as linhas mestras da política que tem aplicado. -

Sobre o aumento do desemprego, explicou que é fruto da falta de produtividade e se esta aumentar, assim como a qualificação dos trabalhadores, as condições de competitividade com os outros países melhoram, seremos mais produtivos e teremos tendência a enriquecer.

"O desemprego é uma grande preocupação deste Governo, mas neste momento é a consequência natural da transição de uma economia "de dívida" para uma economia "de riqueza", ou seja, é um sintoma de que a doença está a ter tratamento". -

Quanto aos fundos vindos das ajudas europeias, mal aplicados, a ministra assegurou, que os casos detectados têm vindo a ser julgados e lamenta que só a ganância e a falta de sentido de cooperação com a comunidade, de alguns, tenha dado origem a estes desvios.

Alertou, no entanto, para o facto de estes fundos serem apenas ajudas transitórias, que irão diminuir nos próximos anos, até se extinguirem e que enquanto o país tiver acesso a essas verbas tem obrigação de criar as estruturas, para que possa "voar" sozinho, mas deve também pensar seriamente que os pro jectos e planos não podem viver sempre desta transitoriedade.

- "Não estamos a vender as jóias da família, estamos sim a desfazer-nos de "pechisbeque" que enchia as nossas cómodas", foi com esta metáfora que a ministra respondeu à pergunta de como faria para manter o déficit de 3 % do Orçamento de Estado.

Referiu que após ter verificado não ser mais possível aumentar impostos e impor mais restrições à despesa pública , teve que optar por esta medida que é aliás aquilo " a que algumas famílias recorrem para, sem outro recurso à mão, resolverem as suas dificuldades económicas".

" Se for necessário, este ano, faremos o mesmo, sem recorrer, tal como antes, às jóias da família", confirmou. - Os benefícios e prejuízos do alargamento da Comunidade Europeia, sobre a economia portuguesa, mereceram a seguinte análise:

" O alargamento pode ser olhado como benéfico, porque aumenta consideravelmente o número de consumidores a que o nossa exportação tem acesso, mas para isso temos que contrariar as nossas debilidades em relação aos países que entram, nomeadamente, mão de obra mais barata, que produz mais barato; nível de qualificação dos trabalhadores superior à nossa, o que dá origem a maior produtividade; situações geográficas mais atractivas, para captar investimentos de países mais ricos, que estão perto das suas fronteiras, bem longe da periferia do nosso país".

Em resumo, Portugal tem que perceber que só trabalhando muito e produzindo mais, melhor e mais barato conseguirá fazer face a esta mudança , com êxito.

- Uma aluna perguntou como será possível incutir na população as políticas de poupança, como filosofia de vida, tendo em conta os condicionalismos económicas que afectam grande parte das famílias.

Para a ministra, o exemplo de poupança tem de vir do Estado, o que não tem sido fácil, tendo ele próprio aproveitado a enorme descida das taxas de juro para obter dinheiro barato e engordar uma dívida que ultrapassou, bastante, os limites impostos pela Comunidade Europeia, a cujas regras estamos obrigados.

E continuou afirmando que esse mesmo Estado não enviou, como lhe competia, nenhum recado aos agentes que desenvolveram campanhas incentivadoras do crédito ao consumo, que deram às famílias algum bem estar, mas que hoje face às políticas de constrangimento, estão a passar por situações de difícil solução.

"Assiste-se a uma tendência para poupar, dada a dificuldade em pagar". - Portugal tem salário, pensões e ordenado mínimo, muito abaixo dos níveis europeus.

Como ultrapassar estas diferenças ? - outra pergunta a que Manuela Ferreira Leite respondeu, afirmando que a diferença se notou mais, logo que entrámos para o regime de Moeda Única, e justifica realçando que o nosso país é mais pobre que os outros e temos por isso que entrar na corrida, correndo mais, ou seja, produzindo e vendendo mais ao estrangeiro, e se isto não acontecer continuaremos a afastar-nos, não esquecendo que só é possível que o país fique mais rico, desde que não continue a endividar-se. -

Quanto à compra de empresas portuguesas por empresas estrangeiras, entende, que, embora não deva ser prática comum, serem aceitáveis essas operações, nalguns casos mesmo, inevitáveis, aliás como Portugal tem feito, no Brasil, na Polónia e em Espanha, onde o esforço deve ser maior por ser um mercado aqui ao lado, quatro vezes maior que o nosso.

- Última pergunta- Como é um dia da ministra das Finanças? "Há dias que são um verdadeiro inferno e há outros bastante compensadores, como o de hoje. Falar com jovens de quem depende o nosso futuro e para os quais temos a obrigação de não hipotecar a herança que lhes vamos deixar, antes proporcionar-lhes uma vida melhor do que a que hoje vivemos, situação que vamos conseguir ultrapassar em breve com o contributo de todos". Feitas as despedidas, começou o dia de inferno da ministra, confrontada com dezenas de perguntas atropeladas e simultâneas, feitas pelos órgãos de informação presentes, sequiosos da última e mais detalhada informação .




 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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