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O Estoril-Praia está a viver momentos de grande euforia pela subida
ao escalão secundário do futebol profissional, facto que não deveria
merecer tal manifestação... porque o "errado", até onde é possível
utilizar a expressão, esteve na descida ocorrida há alguns anos.
É um lugar-comum dizer que o Estoril-Praia
tem lugar junto aos "grandes"... mas isso diz-se para outros clubes,
alguns até a disputar "Distritais"...
A realidade é que a estrutura financeira
do clube não suportou a subida de custos... e a equipa foi descendo.
Sublinhe-se, e registe-se, a forma como Nunes de Carvalho encarou
esta situação desportiva, em plano sempre inclinado, não descurando
o equilíbrio financeiro do clube. E ainda bem que o fez.
O realismo financeiro, a ser seguido
por outros clubes, é que deve determinar o investimento no clube
desportivo. Temos referido amiúde que não há nenhum articulado no
regulamento dos clubes que os obrigue a disputar as principais competições.
O que se exige aos dirigentes é que
cumpram com o prometido.
Ou seja, que paguem
o contratuado com os seus assalariados, como em qualquer empresa.
E nesse aspecto, o Estoril-Praia,
com as dificuldades iguais às dos outros clubes, tem mantido essa
boa imagem de cumpridor do acordado. O novo modelo...
O aparecimento da nova administração
da SAD levou a uma alteração profunda de comportamentos. Primeiro,
comprovada liquidez financeira, a permitir um orçamento exequível,
independentemente dos tradicionais apelos à colaboração do comércio,
indústria, serviços e demais forças vivas - com o também tradicional
protelamento de concretização desse apoio...
Depois - e factor também decisivo
na concretização do objectivo - a profissionalização do departamento
de futebol, bem visível em todos os pormenores que se queira analisar.
A diferença pontual para as restantes
equipas comprova facilmente a supremacia da equipa, deixando antever
um campeonato tranquilo na II Liga, embora os seus responsáveis,
provavelmente, tenham outros objectivos... ... e novos personagens
Com este novo modelo surgem novos
protagonistas, "acusados" de nada dizerem à "história do clube".
E sendo verdade essa "acusação" ela nada tem de desprestigiante
se a lermos perante a realidade actual... e a dos tempos antigos.
Se não vejamos: Não foi a Estoril-Plage
que criou o Estoril-Praia e que garantiu estabilidade financeira
ao clube que, à época, militava na I Divisão e discutia com os "grandes"?
E o que era a Estoril-Plage? Uma empresa de actividade turística-hoteleira
que disponibilizava uma verba para o futebol do Estoril-Praia, considerado
suporte publicitário.
Quando o Estoril-Praia adquiriu autonomia
quem foram os seus suportes? Areias, Lapinha, gente que não tinham
tido ligação ao Estoril-Praia, mas que funcionavam como os Mecenas,
o mesmo sucedendo a José Benito Garcia, embora este directamente
ligado à fundação do clube, por questões familiares.
E sempre que o Estoril-Praia recorreu
ao modelo do presidente não-Mecenas, a depender apenas das suas
receitas, a equipa de futebol teve mais dificuldades, exceptuando
casos pontuais, como o ocorrido com a presidência de Alfredo Farinha.
E é também o período em que o protagonistas
no campo são da terra: Rosales, Deo, Leitão, Martinho, Batalha,
Tonica, Lachever - que se viria a tornar num excelente director
do futebol.
Hoje, no início da época, poucos
conhecem os jogadores, vindos de vários clubes, alguns deles, até
de outros continentes.
Mas não é este o panorama geral?
E como eram as equipas antigas? Petrack, Melancia, Piñero, Valongo,
entre outros, não eram adquiridos pelo clube, face à sua disponibilidade
financeira? E não se venderam Vierinha, Andrade, Morais, Uria? É
o que acontece hoje. A SAD, como empresa visa o lucro... mas sabe
que tem de investir.
Vende e compra jogadores. Os adeptos,
no entretanto, vão saboreando as vitórias no campo, mesmo tendo
dificuldade em pronunciar alguns dos nomes dos jogadores. O regresso
do "glamour"
Mas para além da disponibilidade
financeira, os novos responsáveis da SAD têm a capacidade de diálogo
com os interlocutores do sector e a sensibilidade de mobilização,
factos bem expressos no jantar de gala promovido no Casino Estoril
para homenagem aos campeões.
O cetim está de volta às camisolas
do Estoril-Praia...
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