Do extenso rol de obras existentes no Parque,
devidamente classificadas, escolhemos dois exemplos da incúria
e alheamento a que estão votadas obras únicas do património
cultural e histórico, concelhio e nacional.
Com a preciosa colaboração do dirigente da Fundação Cascais,
João Aníbal Henriques, se traça a importância destas peças ímpares.
CASAIS VELHOS - junto à povoação da Areia, é um aglomerado romano
do século I d.C, que não é propriamente um espaço habitacional
mas uma fábrica de produção de púrpura, material que era utilizado
na coloração das capas usadas pelas classes preponderantes do
império romano.
É uma das poucas fábricas conhecidas, daquele tempo, em todo
o império, e nasceu pelo facto de existir no mar do Guincho
um marisco que era a base da sua actividade - o murex .
Este espaço foi identificado nos anos quarenta do século passado,
por Afonso do Paço, e inclui uma área senhorial, com as suas
termas e respectiva canalização.
Pouco ou nada se fez para pôr a descoberto essa riqueza histórica,
mas é possível confirmar a existência de pedras, retiradas daquele
espaço, incluidas em muros de construção recente e outros vandalismos.
Este complexo está situado em terrenos privados, mas embora
classificados nunca foram expropriados, embora haja negociações
desde 1976.
O Estado tem sido incapaz de resolver a questão da salvaguarda
do seu património histórico e de encontrar solução para os interesses
do proprietário do terreno que ali não pode fazer rigorosamente
nada.
Não se procura trazer ao conhecimento e usufruto público o que
existe naquele espaço, que se sabe ser de grande valia histórica;
ou seja, não se cuida do património do parque nem se permite
que os privados cuidem do seu próprio património.
ERMIDA DE Nª.SNRª.DA CONCEIÇÃO DE PORTO COVO
Relacionada com alguns dos mais antigos cultos da Ibéria pré-cristâ,
nomeadamente aos ligados à fertilidade que os Sírios deixaram
no Cabo da Roca, o templo foi reconstruido após o terramoto
de 1755 e restaurado o culto, é considerado um dos últimos exemplos
da simbologia rural do nosso concelho.
Situada em plena Quinta do Pisão foi recuperada , de pilhagens
sucessivas, pela Santa Casa da Misericórdia de Cascais, em 1973.
Serviu como local de dormida dos escuteiros que visitavam a
serra e, mais recentemente, já em estado de total abandono,
foi local de prática de ritos satânicos, cujos participantes
vandalizaram o interior, destruindo imagens e cortando a cruz.
Entretanto, o tecto foi derrubado pelo que a muito curto prazo
todo aquele património, que começou por ser um monumento funerário,
há pelo menos 2.500 anos, morrerá se ninguém se interessar pelo
que de valioso representa.
Aliás, a Ermida sempre foi um ponto de coesão social das populações
da zona, mas neste momento a incúria já traçou o seu destino.
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Ermida de Nª Sra. da Conceição de Porto Covo |